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Dr Mauricio Raffaelli Ortopedista; ortopedista especialista em ombro e cotovelo; cirurgia de prótese de ombro; tratamento para lesão do manguito rotador; terapia por ondas de choque ortopedia; infiltração com ácido hialurônico ombro; ortopedista para epicondilite lateral; tratamento de artrose no ombro; cirurgia para luxação do ombro; recuperação de lesão no bíceps; programa de tratamento para manguito rotador; ortopedista medicina esportiva ombro; dor crônica no cotovelo tratamento; cirurgião de ombro Santa Casa SP; tratamento para dor no tríceps; lesão peitoral tratamento cirúrgico; ortopedista de confiança São Paulo;

Cirurgia de Latarjet: o que é e quando o atleta precisa dela

Índice

A dor no ombro após uma queda no treino ou aquela sensação assustadora de que a articulação “sai do lugar” durante um movimento simples tem tirado o seu sono? Para muitos atletas e praticantes de atividade física, o ombro que se desloca repetidamente deixa de ser um problema pontual e passa a limitar cada arremesso, cada saque e cada movimento acima da cabeça. É justamente nesse cenário de instabilidade recorrente que a cirurgia de Latarjet entra como uma das soluções mais consolidadas da ortopedia moderna. Neste artigo, explico de forma didática o que é esse procedimento, como ele funciona e em quais situações ele realmente faz sentido para quem quer voltar a praticar esporte com segurança.

Antes de tudo, quero validar algo importante: viver com um ombro instável é desgastante. A insegurança de não confiar na própria articulação afeta o desempenho esportivo, o trabalho e até tarefas simples do dia a dia. Ao longo de mais de vinte anos dedicados à cirurgia de ombro e cotovelo, percebi que a maioria dos pacientes não busca apenas o fim da dor, mas o resgate da confiança no próprio corpo. Vamos entender juntos como isso é possível.

O que é a cirurgia de Latarjet?

A cirurgia de Latarjet é um procedimento ortopédico desenvolvido para tratar a instabilidade anterior do ombro, especialmente quando há perda óssea na cavidade da articulação. Para compreender o procedimento, é útil relembrar rapidamente a anatomia do ombro.

O ombro é a articulação mais móvel do corpo humano. A cabeça do úmero, que é o osso do braço, se encaixa em uma superfície relativamente rasa da escápula, chamada glenoide. Essa mobilidade generosa tem um custo: o ombro é também a articulação que mais sofre com luxações, ou seja, quando a cabeça do úmero perde totalmente o contato com a glenoide.

Na técnica de Latarjet, o cirurgião transfere um pequeno fragmento ósseo, chamado processo coracoide, para a borda anterior da glenoide. Junto com esse osso, são transferidos tendões que passam a funcionar como uma barreira dinâmica, reforçando a estabilidade do ombro. O resultado é um triplo mecanismo de proteção: aumento da superfície óssea de contato, efeito de contenção pelos tendões e reforço da cápsula articular.

Esse procedimento leva o nome do cirurgião francês Michel Latarjet, que o descreveu na década de 1950. Desde então, a técnica passou por diversos refinamentos e continua sendo referência internacional para casos específicos de instabilidade, conforme reconhecido pela Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC) e pela American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS).

Por que o ombro do atleta desloca com tanta frequência?

A luxação do ombro é comum em esportes de contato e em modalidades que exigem movimentos amplos acima da cabeça. Rúgbi, judô, handebol, vôlei, escalada e esportes de arremesso estão entre os que mais expõem a articulação a esse risco.

Quando ocorre a primeira luxação, geralmente há uma lesão nas estruturas que estabilizam o ombro. Uma das mais frequentes é a chamada lesão de Bankart, que corresponde ao descolamento do lábio da glenoide, uma espécie de anel de fibrocartilagem que aprofunda a cavidade articular. Em muitos episódios repetidos, além dessa lesão dos tecidos moles, ocorre também um desgaste ou fratura da borda óssea da glenoide.

Esse é o ponto central: quando existe perda óssea significativa, apenas reparar os tecidos moles pode não ser suficiente. A borda da cavidade perde sua contenção natural, e o ombro volta a deslocar com esforços cada vez menores. Alguns pacientes relatam que a articulação sai do lugar até durante o sono ou ao vestir uma camisa. Nessas situações, o osso perdido precisa ser reconstituído, e é aqui que a cirurgia de Latarjet demonstra sua maior vantagem.

Quando a cirurgia de Latarjet é indicada para atletas?

A indicação nunca deve ser genérica. Cada ombro possui características próprias, e a decisão exige avaliação clínica detalhada e exames de imagem, especialmente a tomografia computadorizada com reconstrução tridimensional, que permite medir com precisão a perda óssea. De modo geral, considero a técnica de Latarjet nas seguintes situações:

  • Perda óssea significativa da glenoide: quando a tomografia demonstra desgaste importante da borda óssea, a reconstrução com o processo coracoide oferece estabilidade superior à reparação isolada dos tecidos moles.
  • Luxações recorrentes: atletas que já sofreram múltiplos episódios de deslocamento tendem a apresentar maior dano estrutural e maior risco de recidiva com técnicas menos robustas.
  • Falha de cirurgia prévia: quando uma reparação anterior não conteve a instabilidade, a Latarjet costuma ser a alternativa indicada.
  • Esportes de contato ou de alta demanda: praticantes de modalidades com grande exigência sobre o ombro podem se beneficiar da maior resistência oferecida pela técnica.
  • Lesões ósseas combinadas: quando há defeito ósseo tanto na glenoide quanto na cabeça do úmero, a estabilidade adicional torna-se ainda mais relevante.

Estudos publicados no Journal of Shoulder and Elbow Surgery reforçam que a presença de perda óssea é um dos fatores mais decisivos na escolha entre a reparação de tecidos moles e a reconstrução óssea. Por isso, insisto sempre com meus pacientes: o exame de imagem detalhado é o que orienta a melhor conduta.

A cirurgia de Latarjet é sempre a primeira opção?

Não. É fundamental esclarecer que a Latarjet não é o tratamento inicial para todo ombro que já se deslocou. Em muitos casos, especialmente quando a perda óssea é pequena e o paciente é jovem com boa qualidade de tecido, a reparação artroscópica da lesão de Bankart oferece excelentes resultados, com recuperação menos invasiva.

A decisão entre as duas abordagens depende de uma análise cuidadosa. Levo em conta a quantidade de osso perdido, o número de luxações prévias, o esporte praticado, a idade e as expectativas de cada pessoa. Reservar a técnica de Latarjet para os casos em que ela realmente traz vantagem é o que garante segurança e bons resultados a longo prazo.

Vale destacar também que nem toda instabilidade exige cirurgia imediata. Existem situações em que um programa estruturado de reabilitação, com fortalecimento da musculatura estabilizadora e reeducação do movimento, pode ser tentado. No entanto, quando há perda óssea relevante e episódios repetidos, insistir apenas no tratamento conservador costuma adiar uma solução definitiva.

Como é a recuperação após a cirurgia de Latarjet?

A recuperação exige paciência e comprometimento, e é justamente nessa fase que o acompanhamento próximo faz toda a diferença. De maneira geral, o processo segue etapas bem definidas.

Nas primeiras semanas, o braço permanece em uma tipoia para proteger a consolidação do enxerto ósseo. Movimentos leves e controlados são introduzidos gradualmente, sempre orientados pela equipe de fisioterapia. Nessa etapa inicial, o objetivo é reduzir a dor, controlar o inchaço e recuperar aos poucos a amplitude de movimento.

A partir do segundo mês, o foco passa para o ganho progressivo de mobilidade e o início do fortalecimento. Já em fases mais avançadas, entra o trabalho específico de força, propriocepção e gestos esportivos. O retorno pleno ao esporte de contato costuma ocorrer entre quatro e seis meses, mas esse prazo varia conforme a modalidade, a evolução individual e a consolidação óssea confirmada por exames.

Trabalho sempre em conjunto com fisioterapeutas e educadores físicos, porque a cirurgia é apenas parte do caminho. Sem uma reabilitação bem conduzida, o resultado técnico do procedimento não se traduz em desempenho real. Por isso, mantenho acompanhamento estruturado e grupos exclusivos durante os programas de tratamento, permitindo que a equipe acompanhe de perto cada etapa da recuperação.

Quais são os riscos e as expectativas realistas?

Como todo procedimento cirúrgico, a técnica de Latarjet possui riscos que precisam ser discutidos com transparência. Entre eles estão infecção, complicações relacionadas à fixação do enxerto, rigidez articular e, mais raramente, lesões neurológicas na região operada. A boa notícia é que, quando indicada corretamente e realizada por cirurgião experiente, a técnica apresenta baixas taxas de recidiva de luxação, um dos motivos de sua consagração na literatura ortopédica.

Prefiro sempre alinhar expectativas de forma honesta. A maioria dos atletas retorna ao esporte com estabilidade satisfatória e alto grau de confiança na articulação. Contudo, em casos de lesões graves ou múltiplas cirurgias prévias, é preciso reconhecer que pode haver alguma limitação residual de movimento. Meu compromisso é buscar a melhor recuperação possível, mas com clareza sobre o que cada situação permite alcançar.

Como saber se o meu caso precisa dessa cirurgia?

A única forma segura de responder a essa pergunta é por meio de avaliação especializada. O histórico de luxações, o exame físico do ombro e os exames de imagem formam o tripé que orienta a decisão. Não recomendo autodiagnóstico nem tratamentos caseiros como substitutos da avaliação ortopédica, pois cada dia de instabilidade não tratada pode aumentar o dano estrutural.

Se você pratica esporte na cidade de São Paulo e convive com a insegurança de um ombro que desloca, saiba que existe caminho. A instabilidade recorrente tem tratamento, e quanto antes ela for avaliada de forma criteriosa, maiores são as chances de preservar a articulação e retornar ao seu nível de atividade.

Por que confiar neste conteúdo?

Este artigo foi redigido com base em diretrizes e evidências científicas reconhecidas internacionalmente, revisado por mim, Dr. Mauricio Raffaelli (CRM 101523/SP | RQE 57916), especialista em Cirurgia de Ombro e Cotovelo com mais de vinte anos de experiência e formação no Pavilhão Fernandinho Simonsen da Santa Casa de São Paulo. As informações seguem os protocolos mais seguros e modernos da ortopedia. As principais bases utilizadas foram:

  • Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT);
  • Sociedade Brasileira de Cirurgia do Ombro e Cotovelo (SBCOC);
  • American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS);
  • Journal of Shoulder and Elbow Surgery, com estudos recentes sobre perda óssea e instabilidade do ombro.

Você pode conhecer melhor meu trabalho e minha filosofia de atendimento próximo pelo site drmauricioraffaelli.com.br.

Perguntas frequentes sobre a cirurgia de Latarjet

A cirurgia de Latarjet é feita por artroscopia ou aberta?
A técnica pode ser realizada por via aberta, que é a forma tradicional e mais amplamente estudada, ou por via artroscópica em centros especializados. A escolha depende das características do caso e da avaliação do cirurgião.

Quanto tempo depois da cirurgia posso voltar ao esporte?
O retorno completo a esportes de contato costuma ocorrer entre quatro e seis meses, sempre condicionado à consolidação óssea confirmada em exames e à evolução na reabilitação.

A luxação pode voltar após a cirurgia de Latarjet?
As taxas de recidiva são baixas quando a indicação é correta e a técnica é bem executada. Ainda assim, nenhum procedimento oferece garantia absoluta, e o seguimento adequado é essencial.

Toda luxação de ombro precisa dessa cirurgia?
Não. Muitos casos, especialmente com pequena perda óssea, respondem bem à reparação artroscópica de Bankart. A Latarjet é reservada para situações de perda óssea significativa ou falha de tratamentos anteriores.

A fisioterapia é obrigatória após o procedimento?
Sim. A reabilitação orientada é parte indispensável do tratamento. Sem ela, o resultado cirúrgico não se converte em recuperação funcional plena.

Conclusão

A cirurgia de Latarjet é uma solução consolidada e segura para atletas que sofrem com instabilidade recorrente do ombro associada à perda óssea. Mais do que uma técnica, ela representa a possibilidade concreta de voltar a confiar na própria articulação e retomar o esporte que faz parte da sua vida. No entanto, a chave para bons resultados está na indicação criteriosa, no exame detalhado e em um acompanhamento próximo do início ao fim.

Se a dor e a insegurança no ombro têm limitado o seu desempenho e o seu dia a dia, não conviva com isso mais tempo do que o necessário. Agende sua consulta, entenda o seu caso com precisão e conheça meus programas de acompanhamento multidisciplinar. Vamos resolver essa instabilidade juntos, com segurança, transparência e a atenção que você merece.