A dor crônica, aquela que insiste em limitar seus movimentos e impedir que você realize atividades simples do dia a dia ou pratique o esporte que tanto ama, é um dos desafios mais exaustivos que enfrentamos. Muitas vezes, o paciente chega ao consultório acreditando que a única saída para recuperar sua qualidade de vida é o bisturi. No entanto, a medicina moderna evoluiu, e hoje dispomos de recursos avançados como a terapia por ondas de choque, uma tecnologia regenerativa capaz de tratar a origem da dor e, em muitos casos, evitar procedimentos invasivos.
Entendo perfeitamente a sua angústia. Acordar com o ombro rígido, sentir aquela pontada no cotovelo ao segurar uma xícara ou ter que abandonar os treinos por uma inflamação que não cede com remédios comuns gera frustração. O meu objetivo, como seu ortopedista, não é apenas prescrever um tratamento, mas oferecer um porto seguro onde você se sinta ouvido e compreendido. Quero apresentar a você uma abordagem conservadora, robusta e baseada em evidências científicas, que tem devolvido a autonomia a centenas de pacientes.
O que é exatamente a Terapia por Ondas de Choque e como ela atua na dor?
É muito comum que, ao ouvir o nome “ondas de choque”, o paciente imagine que será submetido a choques elétricos. Gosto sempre de começar desmistificando isso: o tratamento não tem relação com eletricidade. Trata-se, na verdade, de ondas acústicas (sonoras) de alta energia, que são transmitidas através da pele para a região lesionada.
Ao atingir o tecido alvo — seja um tendão inflamado, uma calcificação ou uma fáscia rígida —, essas ondas provocam um fenômeno biológico chamado mecanotransdução. Em termos mais simples, o estímulo mecânico gera uma resposta biológica no seu corpo. Esse processo desencadeia uma cascata de reações benéficas:
- Neovascularização: Estimula a formação de novos vasos sanguíneos na região, melhorando a irrigação e a oxigenação dos tecidos, o que é fundamental para a cura de tendões que naturalmente recebem pouco sangue.
- Ação Analgésica: As ondas atuam nas fibras nervosas, reduzindo a transmissão dos sinais de dor e promovendo um alívio sintomático progressivo.
- Dissolução de Calcificações: Em casos de tendinite calcária no ombro, as ondas ajudam a “quebrar” os depósitos de cálcio, facilitando sua reabsorção pelo organismo.
- Estímulo à Produção de Colágeno: Essencial para reparar fibras tendíneas desgastadas e devolver a resistência necessária à estrutura.
Não estamos falando de um “analgésico momentâneo”, mas de uma terapia que busca reparar o tecido lesionado. É uma ferramenta poderosa que utilizo para tratar o paciente como um todo, visando a recuperação funcional e o retorno seguro às atividades.
Para quais condições ortopédicas este protocolo é indicado?
A versatilidade da terapia por ondas de choque na ortopedia moderna é imensa. Com mais de 20 anos de experiência clínica e forte ligação com o esporte, tenho visto resultados excepcionais, especialmente em patologias que se tornaram crônicas e não responderam bem a fisioterapia convencional ou medicamentos orais.
As principais indicações em minha prática de ombro e cotovelo incluem:
Tendinopatias do Manguito Rotador
O manguito rotador é um conjunto de tendões essenciais para a movimentação do ombro. Lesões por esforço repetitivo ou desgaste natural podem causar dores intensas, especialmente à noite. O protocolo com ondas de choque estimula a regeneração dessas fibras, sendo uma excelente alternativa ao tratamento cirúrgico em lesões parciais ou tendinoses.
Tendinite Calcária do Ombro
Esta é uma condição extremamente dolorosa onde cristais de cálcio se depositam dentro do tendão. Antigamente, a cirurgia era frequentemente necessária para remover essas calcificações. Hoje, com um protocolo bem ajustado de ondas de choque, conseguimos implodir essas calcificações e promover sua reabsorção com altas taxas de sucesso, evitando a sala de operação.
Epicondilites (Lateral e Medial)
Conhecidas popularmente como “cotovelo de tenista” (lateral) e “cotovelo de golfista” (medial), essas inflamações são comuns não apenas em atletas, mas em qualquer pessoa que faça movimentos repetitivos com o punho e a mão. A região do cotovelo tem pouca vascularização, o que torna a cura lenta. As ondas de choque aceleram esse processo drasticamente.
Fasciíte Plantar e Outras Tendinites
Embora meu foco seja ombro e cotovelo, a tecnologia é padrão ouro também para dores no calcanhar (esporão e fasciíte), tendinite patelar e trocanterite (bursite no quadril), condições que frequentemente acometem meus pacientes esportistas.
A Terapia por Ondas de Choque substitui a cirurgia?
Esta é a pergunta que mais ouço no consultório e a resposta exige transparência absoluta, um dos pilares do meu atendimento. A terapia por ondas de choque não substitui a cirurgia em todos os casos, mas ela reduziu drasticamente a necessidade de intervenções cirúrgicas para diversas patologias.
Para lesões traumáticas agudas, como uma ruptura completa e retraída do tendão ou uma fratura instável, a cirurgia ainda pode ser o caminho indicado. No entanto, para a grande maioria das dores crônicas, tendinites e calcificações, as ondas de choque representam uma “zona intermediária” muito eficaz entre o tratamento conservador básico (gelo e remédio) e a cirurgia.
Estudos recentes da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e publicações internacionais apontam taxas de sucesso entre 70% e 80% para casos bem indicados. Isso significa que, de cada 10 pacientes que talvez fossem encaminhados para uma cirurgia de limpeza de calcificação ou tratamento de epicondilite, cerca de 7 a 8 conseguem resolver o problema no consultório, sem riscos anestésicos, sem cicatrizes e sem o longo tempo de imobilização pós-operatória.
Meu papel como “seu ortopedista” é avaliar seu caso com critério. Se houver chance de recuperação sem bisturi, esgotaremos todas as possibilidades com nossos protocolos avançados.
Como funciona o protocolo de tratamento do Dr. Mauricio Raffaelli?
O sucesso do tratamento não depende apenas da máquina, mas de quem a opera e de como o protocolo é desenhado. Em minha clínica, localizada em São Paulo, adoto uma abordagem personalizada e de acompanhamento muito próximo.
Diferente de clínicas onde você realiza o procedimento com técnicos e perde o contato com o médico, aqui eu supervisiono e acompanho a evolução.
- Avaliação Diagnóstica Precisa: Antes da primeira sessão, realizamos uma análise detalhada com exames de imagem para localizar o ponto exato da lesão.
- Sessões Estruturadas: Geralmente, o protocolo envolve de 3 a 5 sessões, com intervalos semanais. Esse intervalo é crucial para dar tempo ao corpo de iniciar o processo de regeneração biológica.
- Ajuste de Intensidade: A aplicação é titulada de acordo com a tolerância do paciente. Buscamos o nível terapêutico ideal, respeitando o seu conforto.
- Acompanhamento Multidisciplinar: A terapia por ondas de choque não age sozinha. Ela prepara o terreno para que a reabilitação física funcione. Por isso, mantenho contato direto com fisioterapeutas para alinhar o momento certo de intensificar os exercícios.
Além disso, ofereço um diferencial que considero essencial: a acessibilidade. Durante o tratamento, meus pacientes têm canais diretos para tirar dúvidas. Se a dor mudar, se houver desconforto, você não estará sozinho. Eu e minha equipe estaremos ao seu lado.
Existe dor durante a aplicação? O que esperar?
A transparência é fundamental para construir confiança. A aplicação das ondas de choque pode causar um desconforto suportável, que muitos pacientes descrevem como uma “dorzinha chata” ou pontadas no local da inflamação. No entanto, a intensidade é ajustável.
O interessante é que a própria onda de choque tem um efeito analgésico imediato após alguns minutos de aplicação (efeito de habituação). Após a sessão, é comum sentir um alívio da dor original, embora possa haver um leve desconforto residual nas 24 horas seguintes, comparável à dor muscular pós-treino.
O mais importante é que não há necessidade de repouso absoluto. Pelo contrário, incentivamos o movimento guiado e indolor, mantendo o corpo ativo, o que é vital para pacientes adultos e idosos que não querem perder sua autonomia.
Por que a integração com a Fisioterapia é vital?
Muitos pacientes chegam ao meu consultório frustrados porque “já fizeram 50 sessões de fisioterapia e nada mudou”. O problema, muitas vezes, não é a fisioterapia em si, mas o momento biológico do tecido. Um tendão degenerado e sem vascularização não responde bem aos exercícios.
É aqui que entra a minha estratégia de Ortopedia Regenerativa Integrada. Utilizamos as ondas de choque (e por vezes infiltrações com ácido hialurônico) para mudar a biologia do tecido, trazendo sangue novo e reduzindo a dor. Isso abre uma “janela de oportunidade” para que o fisioterapeuta possa trabalhar o fortalecimento e a correção biomecânica com muito mais eficácia.
Não acredito em tratamentos isolados. Acredito em um time cuidando de você. Seja para voltar a jogar tênis, carregar os netos ou trabalhar sem dor, a união entre a intervenção médica precisa e a reabilitação motora é o segredo do sucesso.
Qual o próximo passo para se livrar da dor?
Se você se identifica com os sintomas descritos e busca uma solução que vá além do alívio temporário, convido você a conhecer nossa estrutura. Não aceite a dor crônica como parte normal do envelhecimento ou da prática esportiva. Existem caminhos modernos e seguros para recuperar sua qualidade de vida.
Ao agendar sua avaliação, você não encontrará um médico distante. Encontrará um parceiro comprometido com sua recuperação, que alia a técnica cirúrgica de excelência da Santa Casa com a empatia de quem vive o esporte e entende a importância do movimento.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A terapia por ondas de choque serve para qualquer dor no ombro?
Não. Ela é específica para tendinopatias, calcificações e dores miofasciais crônicas. Dores agudas, infecções ou tumores têm contraindicações. Por isso, a avaliação médica prévia é obrigatória.
2. Quantas sessões são necessárias para ver resultado?
A maioria dos pacientes relata alívio significativo já após a primeira ou segunda sessão. O protocolo completo geralmente varia de 3 a 5 sessões, dependendo da cronicidade da lesão.
3. O tratamento é coberto por planos de saúde?
A terapia por ondas de choque consta no Rol de Procedimentos da ANS para indicações específicas. Recomendamos verificar a cobertura do seu plano ou consultar nossa equipe sobre as opções de reembolso e pacotes particulares.
4. Posso treinar durante o tratamento?
Geralmente, pedimos uma redução na carga e intensidade dos treinos específicos que sobrecarregam a área lesionada, mas evitamos o repouso absoluto. O objetivo é manter você ativo com segurança.
5. Quais os riscos ou efeitos colaterais?
É um procedimento muito seguro. Os efeitos colaterais são mínimos e podem incluir leve vermelhidão, inchaço local ou hematoma pequeno na área aplicada, que desaparecem em poucos dias.
Por que confiar neste conteúdo?
- Este artigo foi redigido com base nas diretrizes da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Internacional de Tratamento por Ondas de Choque (ISMST).
- Todo o conteúdo foi revisado pelo Dr. Mauricio de Paiva Raffaelli (CRM 101523/SP | RQE 57916), especialista em Cirurgia de Ombro e Cotovelo com mais de 20 anos de experiência.
- O Dr. Mauricio possui formação pela Faculdade de Medicina do ABC e especialização na Santa Casa de São Paulo, sendo referência em tratamentos conservadores e cirúrgicos de alta complexidade.
- As informações aqui presentes visam a educação e o esclarecimento, seguindo os preceitos éticos da medicina, sem promessas milagrosas de cura.
Sua saúde merece ser tratada com seriedade, tecnologia e, acima de tudo, humanidade. Se você procura um ortopedista de confiança que vai lutar pela sua recuperação funcional completa, agende sua consulta e vamos traçar juntos o melhor plano para o seu caso.




